Primeiro dia kenyano

Escrito Domingo, 8 de junho

Como primeiro post oficial de um dia kenyano, posso dizer que tenho muita coisa pra descobrir. Tudo parece um livro pronto pra ser lido, uma caixa cheia de surpresas, um mundo a ser desbravado. 

Hoje fui com meus roomates fazer compras no mercado bem próximo do condomínio que estamos morando. As calçadas de lama no caminho compõe ao cenário “por fazer” da cidade. O mercado ficava dentro do shopping Yaya, onde é preciso passar por um detector de metais ao entrar. Parece que todos os estabelecimentos aqui estão exigindo esse tipo de averiguação como medida de segurança. 

A noite fomos a um restaurante tipicamente kenyano/etíope receber as boas vindas dos organizadores do curso, ou melhor, “Karibu” em swahili, que é a língua local, além do inglês (eles misturam as duas línguas). 

Comemos coisas bem locais como legumes, lentilhas, carne, carne de cabra, arroz e temperos bem apimentados.

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Um clássico prato etíope, que eu estava louca pra provar era o injera, que é tipo uma massa de pão fermentado servido com espécies de “patês”, alguns deles apimentados. A ideia é colocar o prato gigante na mesa e com a própria mão as pessoas pegam o pão, os molhos e misturam-se a carne. Esse prato é um reflexo da cultura etíope, a cultura de compartilhar. Segundo a Mercy, nova aluna kenyana do curso, “africanos tem famílias grandes então precisam de prato grandes e que sejam divisíveis”. 

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Outra coisa bem local que vivi hoje foi conhecer a Tusker, cerveja daqui, primeira opção dos kenyanos com elefante no rótulo. 🙂

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Amanhã começa o curso. E a vida na Africa. 

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A chegada

Escrito no DIA 1 – Sábado

Posso dizer que minha aventura na África começou bem antes de chegar aqui.

Passei por vários momentos de indecisão quando comecei a me informar sobre a atual situação de segurança do Kenya. Depois de muitas idas e vindas, acabei decidindo que viria. Na sexta-feira já com tudo marcado e agendado, ao entregar meu passaporte na cia. aérea ainda no Brasil, fui informada que não poderia viajar pois a imigração do país de destino exigia pelo menos 6 meses de validade do passaporte após a minha entrada (o meu iria expirar em outubro e claro que eu não olhei isso antes). Depois de um ataque de choro e muita frustração, inacreditavelmente, consegui tirar um passaporte de emergência na PF de Guarulhos em menos de uma hora. A única mudança foi que ao invés de voar as 18h, parti as 00h.

Cheguei no aeroporto de Joanesburgo por volta das 13h (horário local) e tive que esperar até as 20h30 para pegar a próxima conexão. Todo esse tempo de espera me fez refletir sobre a minha vinda e expectativas sobre os próximos dois meses. 

Kenya, mais especificamente Nairobi, é pra onde eu vim e de onde estou escrevendo agora nesse exato momento inebriada de jet lag, as 4 da manhã do horário local. 

Decidi vir pra cá há alguns meses quando procurava um curso de Inovação Social. Escolhi o curso da amaniinstitute.org, um instituto que tem implementado muitas mudanças sociais em Nairobi em parceria com a Harvard Enterprenership Colaboratory, a Ashoka e a George Mason University. Entre muitas buscas e opções de cursos em universidades e institutos bacanas como por exemplo, NY, São Francisco, Berlim, uma coisa me fez escolher a Amani: a proposta do curso é justamente tirar os alunos da zona de conforto, em outras palavras, aumentar nossa coragem frente ao desconhecido. 

A ideia é que a gente realize mudanças sociais reais com o apoio de instituições daqui, inclusive há um módulo do curso que a gente vai trabalhar numa dessas instituições. 

A chegada no aeroporto de Nairobi já trouxe um pouco dessa sensação de sair da zona de conforto, me senti chegando numa cidade pequena brasileira pouco estruturada cheia de policiais surrealmente armados. Eu nem tirei foto porque fiquei um pouco tensa. A minha espera, estava o James motorista parceiro do curso e um Noruguês também recém-chegado, chamado Tony, interessadíssimo na situação atual do Brasil. Juntos viemos pro alojamento e fomos recebidos pelas nossos 3 roommates, que chegaram durante a tarde. Saila da Finlândia, Megan e Shea dos EUA. Eles nos mostraram o apartamento e deram as dicas do pouco que sabiam sobre o esquema. No mesmo condomínio, está o grupo de MBA que já está aqui há uns 3 meses.

Nos próximos meses, vou usar esse blog como ponto de contato com meus familiares e amigos, registrando meus aprendizados e compartilhando um pouco dessa aventura. Dei o nome de Jambo Kenya porque é Jambo é como eles falam “oi”. Então, Jambo amigos e obrigada por ler 🙂

PS: Como você pode ver, esse post foi escrito no dia da minha chegada, mas demorou alguns dias pra que a internet fosse instalada no apartamento e pra que eu realmente pudesse colocar o blog de pé. Mas tudo bem, tudo bem, ou melhor, sawa sawa como dizem por aqui. Desenvolver a paciência é uma das coisas que faz parte da experiência de viver no Kenya.