A diferença entre cultura e abuso.

No último post, falei um pouco sobre os Maasais. Apesar de infinitamente diferente das nossas referências ocidentais e forma de viver, é muito claro pra mim que os Maasais têm costumes e tradições que fazem parte de sua cultura. E por isso, os respeito imensamente.

Ao mesmo tempo, tem uma coisa que acontece aqui na África que é embalada como cultura em alguns locais mas que na verdade é violação aos direitos humanos. Essa coisa se chama Widow Abuse.

Em muitas regiões, especialmente rurais, mulheres que perdem seus maridos viram vítimas de abuso mental, físico e sexual.

Essa roupagem de cultura é composta por rituais de “limpeza”, pois uma viúva passa a ser vista com ódio e desconfiança e é considerada um elemento de má sorte na comunidade. Esses rituais significam que elas precisam ter relações sexuais a força com outros homens, que muitas vezes tem HIV. 

Elas podem ser torturadas e atacadas (a ponto de assassinato) ou forçadas a cometer atos degradantes, como comer carne humana, fazendo sexo com o cadáver. 

Muitas vezes, elas são acusadas de assassinar seus maridos, já que são um símbolo de azar.

Elas têm sua herança, terras e pertences pessoais roubados. E podem ter seus filhos levados por sua próprias famílias, que as abandona. Muitas delas acabam tendo que recorrer a prostituição pra sobreviver.

Elas têm seu cabelo cortado, e são forçadas a usar preto para o resto da vida, para que todos a reconheçam como um “gato preto”, que se deve evitar contato. Ela não pode nunca mais se casar de novo e suas filhas podem ser fisicamente e sexualmente abusadas e exploradas.

Elas podem ser impedidas de participar de cerimônias importantes, como o casamento ou enterro de seus próprios filhos. Depois de passar por tudo isso, muitas viúvas cometem suicídio na tentativa de acabar com seu sofrimento.

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Pra mim, isso não é cultura, isso não é vida, isso não é certo.

A minha mãe é viúva. Mas poderia ser viúva aqui no Kenya, poderia ter que passar por tudo isso, além de enfrentar a perda. No Brasil, minha mãe está segura, é amada, respeitada e tem liberdade de ser e fazer o que desejar. E é isso que eu também desejo para todas as mulheres que perderem seus maridos na África. 

Roseline Orwa, minha amiga e grande fonte de inspiração, é ativista de viúvas aqui no Kenya. Em função de sua experiência como viúva, Roseline criou a Rona Foudantion que constrói casas, dá suporte psicológico, treinamento profissional em agricultura e serviços médicos para comunidades de viúvas e órfãos que tiveram suas mães afastadas ou mortas.

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Roseline, minha amiga widow activist, com uma história de vida que vai fazer você repensar a sua. 

Assim como eu, acredito que muitos que estão lendo, não sabiam dessas circunstâncias. Por isso, a Rona Foundation está iniciando um movimento de conscientização no mundo, pra que todos saibam e então possam escolher se querem esquecer ou se querem agir a favor da justiça e da dignidade de pessoas exploradas que não podem se defender sozinhas. O movimento #stopwidowabuseke está pressionado o governo para a criação de leis a favor das viúvas e sua segurança.

Para participar você só precisa tirar uma foto com a mensagem STOP WIDOW ABUSE IN KENYA @ronafoundation e compartilhar em suas redes sociais com a hashtag #stopwidowabuseke, tageando a Fanpage.

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Aliás, você também pode curtir a fanpage para que o movimento fique mais poderoso e a pressão do governo mais intensa. E claro, você também pode doar no site.

Participe, afinal, somos todos um.

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