A Vila Maasai

Enfim, os Maasais! Enrolei um pouco pra falar sobre eles, mas sem dúvida é uma das minhas descobertas preferidas aqui no Kenya. Os Maasais são tribos étnicas e semi-nômades que habitam áreas rurais no Kenya e no norte da Tanzânia. Semi-nômades porque quase todos são pastores de gado e vão se deslocando de acordo com o melhor pasto.

No mesmo fim de semana que fui à reserva do Maasai Mara tive a chance de visitar também uma Vila Maasai que mantém a maioria de suas tradições. Acredito que o fato de estar “aberta” à visitações afeta alguns costumes e intensifica as características de outros em função do apelo turístico… Mas independente disso a cultura Maasai faz parte da identidade do Kenya e eu não poderia deixar de conhecer pessoalmente.

Segundo o wikipedia, a população Maasai  chega a mais de 800 mil pessoas só no Kenya. Já rolaram algumas iniciativas do governo do Kenya e Tanzânia pra encorajar Maasais a abandonarem seus costumes e programas de incentivos à outras formas de viver mas Maasai que é Maasai, não abandona o posto.

Andando em Nairobi e em qualquer outro lugar no Kenya, você encontra um ou outro Maasai, enrolado em seus lindos Maasai blanquets. Eles se vestem com esses cobertores de cor vermelha. A  cor ajuda a liderar o pasto, mas as estampas variam com listras xadrez, preto, azul…..Eu já tenho dois, são lindos e super quentinhos.

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Lehaw, funcionário no nosso acampamento. Em volta de uma fogueira em plena lua cheia, ele contou histórias de sua tribo. Ele usa azul porque é Maasai da Tanzânia.

Outra forma de reconhecer um Maasai é cabeça raspada que faz parte do ritual de passagem de uma época da vida para outra. Por exemplo, ao chegar à idade de 3 “luas”, a criança tem a cabeça raspada com um tufo de cabelo, que se assemelha a um cocar simbolizando o seu “estado de graça”.

Pois bem, chegamos na Vila e fomos recebidos pelos homens, os anfitriões. Eles tem uma dança em que ficam numa roda e cada um por vez pula bem alto.

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No fim, quem vai mais alto chama mais a atenção das mulheres.

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Em seguida, eles mostraram pra gente como fazem fogo usando madeira (um bonito objeto de madeira lapidado pelos homens) e galhos. Parecia cena de filme, aquele fogo na palha, aquelas cores.

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Aí entramos na Vila mesmo. Quando eu digo Vila, estou me referindo a um vilarejo circular cercado por troncos e galhos que protegem a comunidade dos animais selvagens. As casas são de barro, folhas e galhos construídas inteiramente pelas mulheres (os homens não podem construir), as funções de gêneros são super rígidas. Homem faz isso, mulher faz aquilo.

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No meio da Vila o cercado para o pasto pra dormir. É uma relação homem-natureza super intensa, na verdade, é uma relação homem-gado em que um depende do outro pra sobreviver. O gado por ser domesticado desde sempre precisa ser guiado e os Maasais tem no gado seu ganha-pão, seu alimento e sentido de viver. Maasais se alimentam de leite, carne e sangue de vaca. Eles fazem micro-cortes no pescoço das vacas, retiram sangue e misturam com o leite, como uma sopa. Uma vez por mês eles matam uma vaca para alimentar a tribo toda. Como sempre estão em contato com sangue (até porque muitos são guerreiros) muitas moscas os rodeiam e alguns deles têm cicatrizes no rosto feitas quando crianças pra que elas escolhessem o rosto ao invés das sopas enquanto eles bebiam. É muito interessante ver como mesmo numa situação que a gente julga tão primitiva, se encontra uma saída pra tudo, esse é um jeito de manter a comida das crianças desintoxicada.

Entramos nas casas escuras de barro, iluminadas apenas por frestas de luz. “Cama” no chão feita de barro e cobertor Maasai, nada mais.

Em seguida as mulheres, que são responsáveis por gerar dinheiro através da agricultura e artesanato de bijuterias, cantaram sua música e nos enfeitaram com suas artes maravilhosas. Na África, as mulheres representam 80% da economia de artesanatos étnicos, elas são pobres economicamente mas ricas em capital cultural.

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O dinheiro das coisas que a gente compra na Vila voltam pra investir em seu próprio sustento, seus negócios, como artesanato, compra de gado e agricultura. Não há interesse em mudar as tradições ou a forma de viver.

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Já os meninos, são nomeados guerreiros entre os 15 e 20 anos. O rito de passagem da infância ao status de guerreiro júnior é uma cerimônia de circuncisão dolorosa, realizada sem anestesia pelos anciãos. Eles devem suportar a operação em silêncio pois expressões de dor trazem desonra e ainda podem causar erros no processo. Depois disso, eles são obrigados a viver por 5 anos afastados da vila usando uma roupa preta por um período de 4-8 meses.

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Tudo isso pode parecer estranho, mas a gente sempre pode aprender com as diferenças. Começando por aprender a respeitar. Eu respeito muito os Maasais e sou muito grata por tê-los conhecido mais de perto.

Agora me vou que já está tarde por aqui. Boa noite, ou como dizem os Maasais, Lala Salama!

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2 respostas em “A Vila Maasai

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